Atualizado às 20h23min.

SÃO PAULO
José Mojica Marins, o “Zé do Caixão” faleceu nesta quarta-feira (19), aos 83 anos, em decorrência de uma broncopneumonia. A morte do cineasta paulistano foi confirmada pela família. Idealizador, roteirista, diretor, sonoplasta, Zé fez de tudo no cinema. Ele era referência no mundo todo.
Ele criou um dos personagens mais famosos da história do cinema brasileiro: o coveiro Josefel Zanatas, conhecido (e temido) ao longo de seus 51 anos de existência pela alcunha de Zé do Caixão. E com ele, a produção audiovisual do Brasil abria os olhos para um dos filões mais populares da ficção: o horror, gênero no qual Mojica virou um mestre, dirigindo e atuando.
— Quando despertei do pesadelo, no comecinho de 1963, a ideia do Zé já estava definida, e então comecei a correr atrás de sobras de negativo em estúdios de São Paulo, como a Vera Cruz e a Maristela, para poder filmar uma história em que aquele homem procurava a mulher ideal para ser a mãe de seu filho — contou Mojica em uma entrevista ao jornal O GLOBO em 2013, quando comemorou o jubileu de seu exu de unha grande, batizado em homenagem a um coveiro amigo. — O nome Josefel veio de um cara que eu conhecia e que mexia com defuntos, um agente funerário chamado Josef Zanatas era brincadeira com Satanás.
No caso de “Encarnação do demônio”, porém, mais do que patrulha, houve uma série de situações soturnas de bastidor. Ele foi, na época da ditadura militar, censurado.
— A censura implicou com o projeto por anos e só me liberou na década de 1980. Mas em 1987, quando o produtor Augusto de Cervantes tentou retomar a obra, um problema pulmonar o matou antes que a fizéssemos. Logo depois, outro produtor, Ivan Novais, entrou na parada e se comprometeu a produzi-la. Ligou para mim todo contente dizendo que iria fazer um almoço para comemorar o negócio. Morreu no dia de fechar o contrato, enquanto preparava uma peixada para gente. Tinha alguma coisa de errado com a gente — contou Mojica em 2006, o ano em que conseguiu enfim filmar “Encarnação do Demônio”, trazendo Jece Valadão (1930-2006) em seu derradeiro trabalho.
Não há ainda informações sobre o velório ou sepultamento de Mojica.

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