Atualizado às 22h38min.

RODRIGO MATIAS
O corpo de Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, morta com um tiro nas costas dentro de uma kombi no Conjunto de Favelas do Alemão, foi enterrado em uma cova do Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ágatha morreu na noite de sexta-feira, dia 21 de setembro. Segundo a polícia, a menina estava dentro de uma Kombi com a mãe, quando foi baleada nas costas. Segundo os moradores, PMs atiraram contra uma moto que passava pelo local, e o tiro atingiu a criança. Ela chegou a ser levada para a UPA do Alemão e transferida para Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.
No mesmo dia, foi enterrado Adailton Cristiano da Silva, o 11º agente de segurança do estado do Rio assassinado este ano. Ele ingressou no ano 2000 na PM e atualmente estava lotado no Batalhão da Polícia Militar em Macaíba, Região Metropolitana de Natal-RN. Ele deixou quatro filhos e havia se casado há um mês.
“Não me mate, tenho quatro filhos para criar”, disse o agente antes de ser morto. De acordo com uma testemunha que mora nas proximidades da estrada, onde o policial militar Adailton Cristiano da Silva, 43 anos, foi executado, essas foram as últimas palavras ditas pelo sargento antes dos tiros. A vítima foi obrigada a sair do carro, ficar de joelhos e sofreu três disparos na cabeça, segundo informações repassadas à polícia.

Duas tragédias… dois pesos… duas medidas

Policiais não são alienígenas de um planeta distante que brotam aqui na Terra para matar pessoas. A maior parte deles é oriunda dessas mesmas comunidades, que escolhe outro caminho – às vezes o único possível – para alcançar a liberdade daquilo que nada mais é do que uma senzala moderna.
Enfim, é claro que devemos lamentar a morte da menina Ágata, e de todas as outras crianças, e faixas etárias, vítimas dessa guerra entre o estado e os bandidos. Porém, não podemos ignorar, nem deixar de lamentar a morte de todos os que são assassinados nessa mesma guerra que tem milhares de vítimas pelo Brasil.
Qual é a sua responsabilidade diante da desordem que você queixa? Já perguntou Sigmund Freud, pai da psicanálise. Muitas são as opiniões, a grande maioria apoiada em razões políticas/ideológicas e não em fatos/coerência.
Você é mais daqueles que vê uma manchete chamativa nas redes sociais e compartilha sem sequer ler o conteúdo da matéria ou pertence a uma pequena parcela da população que lê, busca informações, analisa e, somente depois, emite uma opinião nas redes sociais? Grande parte da dor alheia é ampliada por uma opinião infunda, amplamente divulgada.
Independentemente da sua opinião pessoal, seja mais humano. Quando vidas são perdidas, que possamos solidários a dor alheia. O que você acha? Deixe um comentário e até a próxima semana.
Fotos: Reprodução.


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