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Atualizado às 00h22min.

VOLTA REDONDA / RESENDE
O relatório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) aponta que policiais militares de Volta Redonda, presos nas operações Sideros e Confinados, que cumpriu mais de 80 mandados de prisão, sendo 25 de PMs do 28º Batalhão da PM, receberam R$ 13 mil em propinas de traficantes da cidade. Os pagamentos, segundo o MPRJ teriam acontecido entre dezembro de 2017 e abril de 2018.
O documento aponta várias ocasiões em que os agentes receberam e pediram dinheiro para fazer vistas grossas diante dos criminosos. Isso envolvia a não repressão à venda de drogas ou para soltar e/ou não levar presos suspeitos detidos em flagrante. Os valores podem ser maiores que os mencionados, já que em partes do relatório o MPRJ não cita as quantias pagas.
Em dezembro de 2017, uma escuta, autorizada pela Justiça, flagrou um traficante oferecendo R$ 500, para que os policiais não agissem contra o tráfico de drogas. Menos de duas semanas depois, mais R$ 500 teriam sido repassados por traficantes a policiais. Um suposto integrante do tráfico, identificado como Daniel Rosa, teria sido o responsável por entregar o dinheiro.
Quatro dias depois, o mesmo suspeito, teria repassado mais R$ 500 a outro policial. Em janeiro deste ano, outros R$ 500 foram entregues, segundo o MPRJ, a policiais por um suspeito conhecido como “Chechelo”.
Suspeito detido esconde o rosto na tentativa de não ser identificado. (EVANDRO FREITAS)
Em outra escuta, o relatório conta que policiais militares acertaram o pagamento quinzenal de valores a serem pagos por traficantes aos agentes. No dia seguinte, segundo a investigação, um suposto traficante, conhecido como Maicon, teria entregado R$ 200 como início do acordo firmado no dia anterior. Outros valores e negociações aconteceram por mais quatro meses, com policiais diferentes e traficantes de vários bairros da cidade, segundo o MPRJ.
No esquema descoberto pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), junto com a Polícia Federal, Corregedoria da Polícia Civil/RJ, o 5º CPA (Coordenadoria de Policiamento de Área) e a Coordenadoria de Inteligência da PMERJ, os traficantes apelidavam policiais e equipe de Patamos (Patrulhas Tático Móveis), que circulam em qualquer setor de monitoramento, para facilitar identificar quem era quem. Uma delas era conhecida como a equipe dos “Bad Boys”. Eles também recebiam propina do tráfico, segundo as investigações.
De acordo com o MPRJ, policiais prenderam um suspeito de tráfico, conhecido como “Nenzão”. Eles teriam exigido R$ 5 mil para libertá-lo. A oferta dos bandidos foi de R$ 500. Os PMs não aceitaram. O próprio acusado teria negociado o pagamento de R$ 500 à vista e mais R$ 1,5 mil, horas depois. Uma série de pequenos pagamentos, que iam de R$ 200 a R$ 600, em média, foram feitos a policiais diferentes. Até a uma mulher, presa com droga, foi objeto de negociação. Eles teriam pedido R$ 10 mil para que ela não fosse presa. Ela teria oferecido R$ 1 mil, mas não se chegou a um acordo e a mulher acabou detida.

Propina em Resende

Órgãos de segurança investigam a participação de policiais de outros batalhões em esquema de propina. (EVANDRO FREITAS)
Os investigadores descobriram, por meio de interceptações telefônicas, que policiais militares de Resende, RJ, na região das Agulhas Negras, teriam cobrado R$ 20 mil de traficantes para que fosse devolvido uma quantidade de droga apreendida. O fato aconteceu em março deste ano, segundo o relatório.
A droga apreendida na época foi apelidada de “Ovos de Páscoa”. Nenhum, policial foi preso na cidade até o momento. A Justiça ainda não liberou qualquer mandado de prisão ou de busca e apreensão para agentes da PM no município. Na operação quatro suspeitos de tráfico foram presos. Sendo um deles detido em flagrante com droga.

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