Crivella é preso por suspeita de corrupção dentro da prefeitura do Rio
Foto: Reprodução TV/Globo.
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ANGRA DOS REIS

Atualizado às 12h06min.
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso na manhã desta terça-feira (22), durante uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público do RJ. A investigação que culminou na prisão do político aponta para a existência de um “QG da Propina” dentro da prefeitura da capital carioca. Crivella, afastado do mandato pela Justiça, diz que é vítima de “perseguição política” e que espera “justiça”.
– Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro – disse Crivella. Questionado sobre sua expectativa a partir de sua prisão, o prefeito se restringiu a responder: “justiça”.
Na operação, outro mandado está sendo cumprido contra o empresário Rafael Alves, no Porto do Frade, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio. A ação visa apreender uma lancha de 77 pés que pertence ao acusado. Policiais estão na Costa Verde para tentar apreender a lancha.
De acordo com a Justiça, empresários pagavam propina para ter acesso a contratos e para receber valores devidos pela prefeitura. As prisões foram autorizadas pela desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que afirma que Crivella comanda uma organização criminosa dentro da prefeitura do Rio. Ela determinou o afastamento do prefeito que terminaria o mandato daqui a 9 dias. O vereador Jorge Felipe (DEM) assume interinamente a prefeitura até a posse de Eduardo Paes, no dia 1º de janeiro.
Além de Crivella, foram presos Rafael Alves, empresário apontado como operador do esquema; Fernando Moraes, delegado aposentado; Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella; Adenor Gonçalves dos Santos, empresário e Cristiano Stockler Campos, empresário. O ex-senador Eduardo Lopes também é alvo da operação. Ele não foi encontrado em casa no Rio porque estaria em Belém. Lopes herdou mandato de Crivella no Senado e foi secretário de Pecuária, Pesca e Abastecimento do governador afastado Wilson Witzel.
Empresário Rafael Alves é preso em operação no Rio.
Empresário Rafael Alves é preso em operação no Rio — Foto: Reprodução / TV Globo
Os alvos foram indiciados pelo MP por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva. Todos vão passar por audiência de custódia às 15h, no Tribunal de Justiça, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Delação revelou ‘organização criminosa’ na prefeitura. A investigação começou em 2018, a partir da delação do doleiro Sergio Mizrahy, que admitiu ser responsável pela lavagem de dinheiro para o que os investigadores chamam de organização criminosa que atuava dentro da prefeitura.
O chefe dessa organização, segundo o delator, seria o empresário Rafael Alves, que não tinha nenhum cargo na prefeitura, mas que dava até expediente na Cidade das Artes, numa sala ao lado do irmão Marcelo Alves, que foi presidente da Riotur.

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