Operação da PF apreendeu celulares e computadores de Witzel

Governador nega envolvimento no esquema de desvios de recursos na saúde.

0
540
Witzel é alvo de etapa de operação da Polícia Federal no Rio
Foto: Reprodução.
RIO DE JANEIRO

Atualizado às 16h14min.
A “Operação Placebo”, desencadeada nesta terça-feira (26), cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do governo do Rio, no bairro das Laranjeiras, após autorização do Superior Tribunal de Justiça. A Polícia Federal apreendeu na residência oficial do governador do Rio, telefones e celulares de Wilson Witzel (PSC).
Os mandados tiveram por base duas investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ambas relacionam o nome do governador com empresários e gestores envolvidos com desvios nos recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus no estado. Principalmente, na compra de respiradores que passou de R$ 120 milhões. Um dos indícios foi obtido por promotores estaduais após ouvir durante seis horas, na semana retrasada, o ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves, que encontra-se preso no Presídio José Frederico Marques, em Benfica.
Outro indício que motivou as buscas e apreensões, que chegaram a 12, no total, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi uma prova arrecadada nas investigações da  Operação Favorito, iniciativa da força-tarefa da Lava-Jato há duas semanas, com elementos da relação entre o governador e o empresário Mário Peixoto, preso na ocasião.
Por outro lado, há outra suposta menção a Witzel nas investigações da Favorito ocorreu durante um grampo autorizado pela Justiça que flagrou uma ligação entre o empresário Luiz Roberto Martins Soares, um dos principais alvos da operação, e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Nelson Bornier na qual os dois mencionaram a revogação de uma resolução conjunta das secretarias estaduais de Saúde e da Casa Civil que desqualificou o Instituto Unir Saúde para seguir à frente das UPAs do estado no ano passado.
O TCE-RJ, no entanto, responsabilizou o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, por superfaturamento na compra dos respiradores. Em nota, Witzel negou qualquer tipo de envolvimento no esquema de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública.
– Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará.  A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não  abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro – afirmou o governador.

Comentários via Redes Sociais ou no portal:
(O Sul Fluminense Online não se responsabiliza por comentários na matéria).