Atualizado às 14h55min.

RODRIGO MATIAS
Recente recebi, com tristeza, o relato de uma professora de química, negra, de origem humilde que ganhou notoriedade por seu trabalho com jovens e, também, por ter conseguido um diploma na universidade de Harvard de pós-doutorado.
Digo tristeza, pois já conhecia a história da professora, mas foi descoberto que ela mentiu ter estudado em Harvard… Não escrevo aqui o nome da professora por uma razão. Não quero me recordar desse episódio, mas sim do que ele me mostrou.
Entenda, não vou aqui defender a mentira da professora, não suporto mentira e, para mim, nada a justifica. Escrevo essas linhas ainda indignado com a reação de pessoas ao descobrir a farsa. Me lembro de ter postado a notícia em uma das minhas redes sociais, e algumas (ainda bem que não todas) riram da notícia, debocharam com uma satisfação impressionante. Não por acaso, quem fez isso, sem exceção, eram homens e brancos. Não generalizo, pois tiveram sim pessoas que, como eu, se decepcionaram e até foram ásperos com a professora pela mentira. Porém, não riram, não debocharam, não tiveram nenhuma satisfação ao ler o relato.
Eu admito, fui tomado de raiva ao ver alguns poucos indivíduos das minhas redes sociais debocharem do caso e exclui sumariamente essas pessoas, pois, entendo, que não posso me relacionar, ao menos nas redes sociais, com indivíduos que debocham do fracasso alheio.
O fato me fez refletir como alguns indivíduos são medíocres, por ver alguém “grande” e de “sucesso” perder a base da “fama” e “cair”. Isso mostra a verdadeira podridão dos corações.
Fui confirmar a veracidade da notícia em outras fontes e a tristeza aumentou ao ver os comentários de satisfação em outros canais de comunicação. E, sim, existiam também os comentários de indignação. Uma vez que a história de superação da professora havia sido difundida em vários lugares e reproduzida em vários ambientes de ensino, empresas, diversos lugares e meios de comunicação.
Talvez seja por isso que alguns riram ao descobrir a mentira da professora. Na comparação com alguém de origem humilde, que se destacou, em comparação com sua própria pequeneza que estagnou, se alegraram por ver que era uma mentira o que dava destaque a professora. Assim é possível falar: “viu, era tudo mentira, ela não é diferente de mim”.
Um mundo triste que vivemos… Me lembro de 2018, quando Jair Bolsonaro levou uma facada e vi pessoas falarem: “tem que morrer”. Esse ano, o ex-presidente Lula perdeu um de seus netos, e vi pessoas falarem: “bem feito”.
Como uma ação pode desencadear uma reação tão desastrosa? Como um diploma falso pode mostrar a verdadeira podridão em alguns corações?
Mas escrevo novamente algo que se tornou meu chavão: “insisto em ter esperança”. Sim, não posso generalizar todos, por causa de alguns poucos. E, como professor, sei “assim, como foram ensinados a odiar, podem aprender a amar”. Mas isso é um texto para outra ocasião. Até a próxima coluna… (Foto: Reprodução Jornal Estado de São Paulo).

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