RODRIGO MATIAS

Atualizado às 10h52min.

Há duas semanas um abraço comoveu grande parte dos brasileiros, entre o médico Drauzio Varella e a trans Suzy. Na reportagem do Fantástico, exibida no primeiro domingo (1) de março. Suzy afirmou que não recebia visita na cadeia havia oito anos. A solidão, segundo relato da detenta, ocorria por conta de sua transição de gênero e sexualidade. Comovido com o depoimento, Drauzio Varella a abraçou. O motivo de a família não visitá-la, contudo, teria ligação com a crueldade do crime cometido.
Suzy, cujo nome de batismo é Rafael Tadeu de Oliveira dos Santos, segundo consta no processo contra ela, praticou “atos libidinosos consistentes em sexo oral e sexo anal com um menor, que à época tinha 9 anos de idade”.
Na sentença de maior condenação, a criminosa “matou e o ofendeu mediante meio cruel, consistente em asfixia, se valendo de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, haja vista tratar-se de criança, com mínima capacidade de resistência”.
Duas semanas depois da reportagem do Fantástico levantam-se vários questionamentos:
1) Qual a razão da omissão da condenação?
2) A condenação é verídica?
3) Caso a condenação seja verídica, muda o fato da empatia do médico?

O médico emitiu uma nota, durante o programa de domingo (8), Dia Internacional da Mulher, e afirmou que não julga os pacientes. “Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a medicina, seja no meio consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico”, afirmou Dráusio Varela.

Entre uma série de outras perguntas. Como essa é uma coluna de opinião, vou dar minha. Se é correta, ou não, deixo a cargo do leitor (a).
O que isso muda na reportagem e no ato feito, o abraço? Nada! É bom ter ciência do crime cometido. Acredito na mudança das pessoas, grande parte da minha vida é pautada nessa crença. Acredito que saber do crime mudou muita coisa em muitas pessoas, em outras não mudou nada saber do fato.
Admito que falta empatia as pessoas. Falo isso pois eu presto serviço carcerário voluntário há vários anos, meu foco é o serviço eclesiástico. Sei bem como é o preconceito vivido pela população carcerária, ouvindo dos próprios detentos e de suas famílias.
Uma regra básica que temos dentro do serviço eclesiástico dentro da prisão: não perguntar sobre a condenação de um detento, para ele ou seus colegas de cela. A razão disso é variada, mas vou listar duas:
1) Para levar o evangelho não é preciso mudar o passado, mas trabalhar em uma mudança no presente para uma transformação no futuro.
2) Os presos não toleram alguns tipos de crimes e quando ficam sabendo que algum colega cometeu alguma ação “intolerável”, os abusos físicos são severos. Existem casos de que resultam até em assassinato.
Então, do meu ponto de vista, entendo a situação do médico e sua atitude. No entanto, é preciso ressaltar que a reportagem foi intencional para a empatia a detenta na questão de gênero, não sejamos “inocentes” quanto a isso, com o perdão do trocadilho. Não vi a reportagem, já não vejo rede aberta há anos, incluindo a Globo, mas acompanhei a movimentação nas redes sociais e nelas vi trechos da entrevista.
De fato, considero boa a discussão gerada, tanto as pautas forçadas pela emissora, quanto as opiniões contrárias serviram para um propósito: refletir sobre a população carcerária no Brasil.
O que você pensa sobre isso? Deixe um comentário e até a próxima semana. Forte abraço.

Foto: Reprodução.


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4 COMENTÁRIOS

  1. Rodrigo, o fato de ainda constar no processo o nome de batismo de Suzy já mostra uma deficiência em nosso sistema jurídico, além de reforçar o desrespeito com essas pessoas. Além disso, divulgar esse nome pode constranger e gerar processos. Abraços.

  2. Que matéria incrivel!!! Infelizmente o que falta hoje entre nós, é nos colocar no lugar do outro para saber o que ele está sentindo! Um abraço muda todo o rumo de uma vida…

  3. lixo deveria morrer na cadeia
    a Globo não olhou a mãe do menino de 9 anos q nunca mas viu seu filho por causa desse animal
    globo fez esse lixo um anjo
    mas o q é dele tá guardado
    Varella …censurado…

  4. O tempo que ele visita presídios poderia usar em áreas carentes com pessoas de bem, imagina os pais do menino como vivem, isso a globo não mostra, lixo de materia, cadê você Jean Alves que sempre vê os dois lados?

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