ESPECIAL


Atualizado às 21h08min.

VOLTA REDONDA
Hoje vamos conhecer a história emocionante de Katia Nunes Correia, de 41 anos, que luta para ter uma melhor qualidade de vida. Portadora de paralisia, ela precisa de uma cadeira especial para se locomover.
Kátia nasceu saudável de nove meses. Aos seis meses de vida foram surgindo os primeiros sintomas da paralisia. A mãe, Carlita Nunes da Silva, 67 anos, começou a perceber que a filha tinha algo. Uma febre alta levou Katia ao médico e constatou a paralisia. Ela conta que a filha foi perdendo os movimentos do corpo e já saiu do hospital com movimentos paralisados. Foram sete cirurgias durante a vida.
Mãe precisa improvisar um sinto para manter Katia na cadeira sem o risco de cair e se machucar.
A família morava em São Paulo. Um ano depois vieram para Volta Redonda, no Sul do Rio. Katia nunca frequentou uma escola. O problema afetou apenas os movimentos. A memória e a mente dela estão intactas. Mesmo sem ir à escola, a mãe e o irmão alfabetizaram ela. Sabe ler muito bem. Limite para ela é uma palavra que não existe.
Ela e a mãe vivem há três anos em um apartamento do Minha Casa, Minha Vida, no bairro Três Poços. A única renda vem da aposentadoria como manicure da mãe e um benefício de assistência social do governo. O que soma cerca de dois salários mínimos, equivalente a menos de R$ 2 mil. Renda que é pouca para pagar as despesas de casa e remédios e o tratamento que Katia precisa.
Estivemos pessoalmente no apartamento em que elas moram. Vimos de perto a realidade enfrentada no dia a dia. Num dia de calor forte, apenas um pequeno ventilador refrescava a sala improvisada de quarto. A maior parte do tempo Katia fica sobre a cama. A distração é a TV. Apaixonada por futebol não perde um jogo do time de coração, o São Paulo Futebol Clube. “Adoro futebol e sempre que posso torço pelo meu time”, disse ela sorrindo.
Cadeira Especial
Cadeira que Katia usa há três anos não é a adequada para quem tem paralisia e movimentos involuntários.
O maior problema é a dificuldade de acesso. A cadeira que a Katia usa hoje não é a ideal e já apresenta problema depois de mais de três anos de uso. A mãe teve que improvisar um cinto para prender ela e impedir que caia da cadeira.
Por conta da não coordenação dos movimentos, os braços e pernas acabam batendo e precisam ficar bem presos. Coisa que hoje a mãe faz até instintivo. “Hoje não temos uma cadeira que atenda a necessidade dela. Vou improvisando como posso. Coloco uma alfada aqui para prender o braço dela e evitar que ela bata as mãos. Falta recurso e não temos a mínima condição de comprar uma cadeira agora”, lamentou a mãe.
A cadeira que ela precisa varia de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil, dependendo do modelo. “Queria poder dar um atendimento melhor para Katia. Que ela tivesse um acompanhamento de saúde com fisioterapeuta, médico e nutricionista. Com isso acredito que ela teria uma qualidade de vida melhor”, frisou a mãe.
Momento Delicado
Sorriso esconde a dificuldade do dia a dia que Katia e mãe enfrentam para uma simples ida ao médico.
Há um mês, Katia ficou internada por conta de uma anemia. Foram três meses no Hospital. Os médicos ainda não descobriram o que provocou a anemia. Ela hoje precisa tomar remédios para anemia, controle de convulsão e para bronquite.
Depois do susto, Katia passa bem e está sendo acompanhada por um médico para tratar a anemia. “A gente ainda não sabe o que está provocando essa anemia. Ela se alimenta bem, graças a Deus. Na semana que vem temos uma consulta com a médica para saber como ela está. Fazemos um exame de sangue e vamos aguardar o resultado”, explicou a mãe.
Artes Plásticas
No meio de tanta dificuldade ainda sobre tempo para produzir emoções. A Katia é artista plástica. Com a boca, ela pinta quadros e colori a vida tão cinza no meio dos obstáculos da vida.
Katia conta que o é uma das coisas que mais ama fazer. Foi só a mãe colocar o cavalete, também improvisado, na sala apertada, para ela começar as primeiras pinceladas. “Começo e não dá vontade de parar”, disse sorrindo.
A maior vontade dela hoje é ser ativa. A limitação física não é empecilho algum. Para pintar ela conta com doações. Tintas, pincéis e telas são caras. Talvez são as únicas coisas que fazem ela viajar no mundo das cores e se desprender da cadeira e das limitações.
– Quero pintar minhas telas. Uma cadeira para me locomover melhor e fazer minhas atividades. Preciso me sentir mais útil e poder fazer coisas normais como qualquer pessoa. Só isso do que eu desejo – pediu emocionada.
Quem quiser ajudar a Katia pode fazer contato com o jornalismo do portal Sul Fluminense Online pelas redes sociais ou pelos telefones (24) 3026 1654 / (24) 98150 2276. (Fotos: Jean Alves).

3 COMENTÁRIOS

  1. É preciso levar ela para ser atendida e orientada pela APADEFI de Volta Redonda. Nunca falaram isso para a família? Cadê o pessoal da UBS do bairro? Onde está a rede de saúde do município esse tempo todo?

  2. Ela ficou internada três meses e já fazia um acompanhamento na Apadefi. Na próxima quarta-feira (13), ela tem um consulta marcada para voltar a ser acompanhada. Porém, ainda está sem a cadeira adequada.

  3. Aliás a cidade precisa apoiar mais as atividades vida APADEFI. Não podemos perder um só usuário na instituição. O trabalho realizado lá é muito lindo e fundamental para a população ê para o município. Parabéns APADEFI.

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