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Atualizado às 04h24min.

VOLTA REDONDA
Milhares de pessoas lotaram os arredores da Ilha São João na noite de véspera do mutirão de emprego, organizado pela prefeitura de Volta Redonda, no Dia do Trabalhador. Não adiantou avisar que não haveria necessidade de passar a noite na fila, os candidatos chegaram mais cedo.
Nossa equipe esteve no local no início da madruga. Muita gente decidiu encarar horas e horas mal acomodadas na calçada, ponto de ônibus, esquina, dentro do carro e até em barracas para tentar uma vaga. A Maria de Jesus Antão, 56 anos, foi a primeira. Ela está acampada na porta desde a noite de segunda-feira (29). Há dois anos desempregada, ela tem certeza que o esforço vai ser recompensado. “Meu medo era acabar as vagas. Estava em casa, sem fazer nada, preferi vir para cá. Agora quero ver como vai ser quando abrir esse portão de manhã”, revelou preocupada.
Até perto das 2h da madrugada, mais de duas mil pessoas já estavam na fila. Parecia não ter fim. Quando chegamos ao final, quem acabava de chegar era o segurança Aimoré Lima. Desde janeiro desempregado, veio de Barra Mansa tentar algo. “Estou aqui por necessidade. Sou pai de uma menina e estou em busca de uma estabilidade e buscar o que eu quero fazer. Vamos encarrar o feriado inteiro se for preciso”, afirmou. Enquanto conversamos, mais 20 pessoas, no mínimo, entraram na fila.
A prefeitura fechou o local, sinalizou e colocou equipes da Guarda Municipal. De quatro em quatro homens, revezaram a noite para evitar tumulto e garantir a ordem. Três banheiros químicos foram colocados na porta. A PM também fazia rondas no local para inibir eu algum crime acontecesse.
A autônoma Sônia Batista trouxe a filha Maria Eduarda, de 18 anos, para tentar conseguir o primeiro emprego. A única experiência foi como jovem aprendiz de uma empresa. Elas chegaram perto da meia-noite e já tinha quase mil pessoas na frente. Desisitir… não é o que a elas pensam. “Quero trabalhar. Ter meu dinheiro. Daqui a pouco quero fazer faculdade. Tenho que tentar. Se eu conseguir vou ficar muito feliz”, ressaltou a jovem. A mãe incentiva a filha. “Nunca pensei que fosse ficar a noite no meio da rua assim. Estou assustada com a quantidade de pessoas desempregradas. Porém, todo esforço é para ajudar ela a começar a vida profissional”, comentou.
Famílias, amigos e casais. Haviam muitos, como a Adriana Benedito e o namorado Fábio Lopes. Com 47 anos, ela está há quatro parada. Tentou empreender um negócio de delivery, mas não deu certo. Ele, parado há seis meses, já perdeu o seguro e as contas não param de chegar. Ela garante que nessa hora até o amor está em pensamento positivo em busca de uma vaga. “Meu sonho é voltar a ter meu emprego, fazer meus planos e ter estabilidade. Já sofri preconceito pela minha idade, meu problema com o vitiligo, mas estou confiante”, frisou.

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