Atualizado às 15h52min.

RODRIGO MATIAS
O professor Leandro Colling (UFBA), que é presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, sustentou há alguns anos que, em vez de pensarmos que nossas identidades são naturalmente dadas, deveríamos encará-las como o resultado de construções culturais. Ou seja, uma orientação que é construída ao longo da vida.
Algumas semanas atrás, foram eleitos os novos dirigentes do Conselho Federal de Psicologia. Dentre as chapas que foram derrotadas, estava a que era comandada por Rozangela Justino, conhecida por defender uma terapia que promete reverter a orientação sexual de pacientes homossexuais — a polêmica “Cura Gay”.
A questão que eu sempre levanto é muito simples: se nossas práticas sexuais são construídas, por que elas não podem também ser desconstruídas e reconstruídas segundo outro quadro de referência?
Esse é um excelente tópico em que sexo, ciência e sociedade se cruzam perfeitamente. Nessa semana, foi publicado na revista Science o maior estudo já realizado sobre a influência do genoma na prática homossexual. Meio milhão de pessoas participaram da pesquisa que conclui que é virtualmente inexiste essa correlação biológica. Ou seja, não existe um “gene gay”.
Catherine Malabou tem falado muito sobre a plasticidade do ser humano. Isso baseado no poder construir-se e desconstruir-se livremente. Acredito que nisso, existe ressonância com a antropologia. A questão, portanto, não é saber se somos massa modelável, mas na mão de quem estamos sendo modelados. Entende?
Quem nos tem nas mãos e nos molda… A cultura? A mídia? O estado? A família? A religião? Responder essa questão é fundamental, não apenas para nossa orientação em moralidade sexual, mas em toda nossa construção como ser humano. O que você acha? Deixe um comentário e até a próxima semana, abraços!
Foto: Reprodução.

Comentários via Redes Sociais ou no portal:

(O Sul Fluminense Online não se responsabiliza por comentários na matéria).