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VOLTA REDONDA

Atualizado às 23h.
Manifestantes expulsos do Acampamento da Paz, que ficava em uma área particular entre o Belmonte, Padre Josimo e Getúlio Vargas, no Sul do Rio, permanecem acampados, em protesto, na porta da prefeitura de Volta Redonda. Famílias inteiras, pai, mãe e filhos, improvisaram barracas e colchões para se instalar na Praça Sávio Gama. Estivemos dois dias no local e ouvimos moradores que foram expulsos, por ordem judicial, do local ocupado.
Descobrimos que eles estudam uma área pública, improdutiva, para criação de um novo acampamento. Sabemos que a prefeitura tem uma área, às margens de uma rodovia na cidade que pode ser um dos locais para servir de acampamento. Nesse domingo (30), nossa equipe foi na praça e ouviu manifestantes e uma liderança do movimento. Nessa segunda-feira (31), motoboys e motociclistas prometeram dar apoio e protestar em frente a prefeitura. Essa semana os motociclistas protestaram em frente a Guarda Municipal pela saída do atual comandante, Batista e agora pretendem apoiar o movimento dos desabrigados.
A prefeitura está realizando cadastro das famílias pela SMAC (Secretaria Municipal de Ação Comunitária), para dar suporte às famílias. Só não conseguimos apurar o que será e se será feito algo com o registro de todos. A cidade tem um programa popular de habitação para construção de 70 casa populares. Mas o projeto não supri a necessidade que quase chega a mil moradias.
Márcio é o chefe de uma das famílias expulsas do acampamento. Ele conversou com a nossa equipe, enquanto estava na fila para cadastrar na lista da prefeitura. Ele desabafou e se disse desapontado pela insensibilidade do governo para com a situação deles.
– Espero que os nossos governantes que sempre falam que governam para a população e todos tenha compaixão. Porque até agora não vi apoio nenhum. Espero que o prefeito respeite e receba nossa comissão. Ele tem um lar para morar e que ele coloque a mão no coração e dê para as pessoas o que precisam. Nós demos um voto de confiança e ele retribui com despejo”, lamentou.
Conversamos ainda com “Baiano”, que disse ser um dos coordenadores do movimento. Ele garante que os manifestantes vão ficar na praça “até o prefeito decidir onde os ocupantes vão ser realocados”.
– A gente não tem para onde ir e vamos ficar acampados até decidirem. Precisamos ser atendidos e não vamos arredar o pé. A guarda está nos dando apoio com a PM, estão colaborando e tendo respeito. Dessa forma pacífica vamos continuar. Tentamos contato com o prefeito para um banheiro público e um “biombo” foi improvisado porque não fomos atendidos. Até agora a prefeitura não fez nada para ajudar. Confiamos no prefeito e até agora nada – ressaltou o desabrigado.
Banheiro improvisado é construído no meio da praça
Banheiro improvisado é construído no meio da praça depois de negativa para um banheiro químico. Foto: Evandro Freitas.
Eles ocuparam o local na sexta (28) e garantem que até o momento nenhum vereador foi ao local conversar com os desabrigados, depois da expulsão da área ocupada. “Somente outros dois veículos de imprensa estiveram aqui. As igrejas e algumas ONG’s estão ajudando e muitos moradores também. Precisamos de uma área para sermos realocados. Estamos jogados às traças e há um ano e meio nessa luta, tentando um lugar para morar e ainda não conseguimos”, contou Baiano.
Nessa segunda (31) vamos falar com a prefeitura para esclarecer qual o objetivo da lista de cadastro que vem sendo feita. Ainda saber se o prefeito vai receber uma comissão dos manifestantes e quando isso deve acontecer. Além de perguntar, como Neto pretende resolver o impasse e liberar a praça do protesto.

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