Atualizado às 12h13min.


VOLTA REDONDA

Foi encontrado morto na piscina de casa, na manha desse domingo (01), na Rua Paulo Monteiro Mendes, no bairro Monte Castelo, em Volta Redonda-RJ, o ex-prefeito Wanildo de Carvalho. Ele completou, no dia 16 de março, 81 anos. Aparentemente, ele teria sofrido um mal súbito e caído na piscina.

Informações EXCLUSIVAS do SUL FLUMINENSE ONLINE, de que o ex-prefeito tinha um edema na cabeça. Segundo a fonte, ele estaria tendo episódios de desorientação. Ele foi encontrado por familiares, sem vida, dentro da piscina. Wanildo era casado e estava com uma cirurgia marcada para retirada de um edema cerebral. O que estaria provocando crise de confusão mental.

A esposa foi quem encontrou o marido na piscina. Ela chamou pelo filho, que mora em frente, e ele retirou o corpo do pai da piscina e colocou sob um sofá na varanda. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado, mas Wanildo já estava morto. Prefeitura de Volta Redonda decretou luto oficial por três dias, pela morte do ex-prefeito.

 

Trajetória política marcada por fatalidade

Nascido em Pequeri (MG), o arquiteto Wanildo de Carvalho, assumiu a prefeitura de Volta Redonda em 21 de fevereiro de 1989. Ele ficou no cargo até 1º de fevereiro de 1993. Ele assumiu depois da morte precoce, em um acidente de carro, do então eleito, Juarez Antunes. O sindicalista ficou apenas 21 dias a frente do município.

Wanildo foi o prefeito pelo acaso. Pai da ex-deputada estadual, Wanúbia Carvalho, eleita quando ele era prefeito da Cidade do Aço. Ele chegou a dizer que não assumiria o governo por acreditar que Juarez havia sido eleito, não ele. Quem viveu na época diz que houve muita pressão para que ele assumisse a prefeitura. O partido que ele pertencia, o PDT, que inclusive ajudou a fundar, e os sindicalista levados ao governo por Juarez, entraram em colisão sobre o deveria ser feito. Tendo em vista que a indicação de Wanildo a vice tinha sido tumultuada.

Em entrevista recente ao jornal Folha do Aço, Wanildo relatou o momento que viveu na ditadura militar e o que precisou fazer para não ser preso.

– Tiveram que me engolir como vice, numa reunião tensa do PDT em Volta Redonda. Tomei posse e fui para casa. Não queria ser conivente com a política que Juarez queria implantar. Ficaram divididos antes mesmo das eleições. No Golpe Militar fui cassado e me tornei anistiado como líder estudantil. Fui o único, de 77 réus, que escapei da prisão, ao responder um processo no Supremo Tribunal Militar e não fui preso – lembrou.

O governo de Wanildo ficou marcado por denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público. Ele que popularizou a expressão, “Grupo dos 14”. Se referindo aos vereadores da Câmara Municipal, cujo ele teria reunido para sustentar o governo dele.

Planejou obras importantes, com a visão da chegada do milênio. O que ele chamou de “Plano 2000”. Visionava a possível privatização da maior empresa da cidade, a CSN, anunciada pelo governo Collor. Atuou muito na Cultura, com a construção da maior biblioteca pública da região. O Memorial Getúlio Vargas e o Memorial Zumbi. Além de tombamentos do patrimônio histórico e eventos culturais aberto ao público. Também criou e restaurou importantes vias da cidade, em busca de melhor mobilização urbana para o município. Construção de viadutos e passarelas, como a da entrada da CSN, na Vila Santa Cecília.