VOLTA REDONDA

Atualizado às 12h10min.
O ex-prefeito de Volta Redonda, Marino Clinger, morreu na quarta-feira (26). Ele estava internado no Hospital da Unimed, no Jardim Belvedere. Clinger tinha 88 anos e a causa da morte não havia sido divulgado até o momento.
Marino Clinger Toledo Neto nasceu em 16 de outubro de 1933, em Reduto, distrito de Manhuaçu, na Zona da Mata de Minas Gerais, filho de Mário Ferreira Neto e Beraniza. A família, o casal, quatro filhos e dois sobrinhos, se mudaram para Volta Redonda em fevereiro de 1943. Clinger tinha 10 anos quando chegou ao Sul do estado do Rio.
Em Volta Redonda, Clinger estudou no Grupo Escolar Barão e no Colégio Macedo Soares. Em Barra Mansa, no Colégio Verbo Divino. Depois, foi para Juiz de Fora estudar na Academia de Comércio e, em seguida, no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte.
Depois, reprovado em sua primeira tentativa de entrar na Faculdade de Medicina, iniciou a Faculdade de Farmácia, em Niterói. Mas o sonho dele era se tornar médico se concretizou no Rio, na Escola de Ciências Médicas. Especializou-se em pediatria. Em 1965, retornou para Volta Redonda já casado com Adiléa Barcellos Neto, que conheceu na Faculdade de Farmácia e duas filhas.
Sempre gostou de política, como observou no livro “A Volta Redonda que eu vivi”, lançado no ano passado. “Da minha parte, observava a política, assim meio de viés, de rabo de olho”, conta ele no livro.
Clinger entrou na política partidária no PDT de Leonel Brizola e, em 1982, recebeu uma enxurrada de 6.988 votos para vereador, sendo o maior índice de votação já obtida por um candidato à Câmara de Volta Redonda até hoje. Exerceu o cargo entre 1983 e 1985, quando disputou e ganhou, pelo mesmo partido, a eleição de prefeito.
Foi a primeira eleição que a cidade teve depois de deixar de ser Área de Segurança Nacional (nesta condição, na ditadura militar, os prefeitos eram indicados pelo presidente da República). Clinger, pelo PDT, teve 37.846 votos contra 35.921 de Nelson Gonçalves (PFL), o segundo colocado.
Seu governo foi marcado por três episódios históricos: a ocupação da Divineia, que viria se tornar bairro Padre Josimo, um pedido de impeachment do qual ele escapou por um voto e, já no fim do mandato, a greve na CSN, em 1988, que causou uma comoção nacional, com a morte de três operários por soldados do Exército, quando o país ainda respirava os primeiros ventos da redemocratização.
– Estive à frente da prefeitura por 1.095 dias e a cidade pôde contabilizar exatas 291 obras. Vale dizer que alcançou a média de uma obra a cada quatro dias. Fiz um governo participativo, solidário, sem demagogia de realizações e dentro das possibilidades das finanças públicas – avaliou, no mesmo livro. Clinger encerrou sua carreira política como deputado federal, entre 1991 e 1995.

Luto Oficial

A prefeitura de Volta Redonda decretou três dias de luto pelo falecimento do ex-prefeito Marino Clinger Toledo Netto. O prefeito Antonio Francisco Neto lamentou o falecimento de Clinger e enalteceu a sua trajetória.
– Clinger escreveu seu nome na História da política nacional e principalmente na História de Volta Redonda. Íntegro, trabalhador e um grande amigo, com quem tive a honra de conviver e trabalhar. Deixa um legado sem igual para as atuais e futuras gerações de nossa cidade – destacou o prefeito Antonio Francisco Neto.

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