Atualizado às 15h40min.

BARRA DO PIRAÍ
Um rombo na Saúde de Barra do Piraí foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo a Justiça 16 pessoas teriam participado de um associação criminosa para desviar recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) dentro da Secretaria de Saúde da cidade do Sul do Rio.
Os desvios, segundo o MPF, aconteceram durante um mandato “tampão”, em que o presidente da Câmara, em 2013, Expedito Monteiro de Almeida, o Pastor Monteiro, assumiu a prefeitura após o afastamento do então prefeito, Maércio de Almeida e do vice, Norival Garcia. Até agora as investigações apontam que teriam sido desviados R$ 1 milhão. O MPF de Volta Redonda, cidade vizinha, investiga a participação dos denunciados no esquema, mas o número pode ser maior. Pastor Monteiro, prefeito na época, e o secretário de Saúde Alexandre Carvalho estão entre os acusados de participar do esquema criminoso para desviar dinheiro público.
O MPF coloca que o esquema teria funcionado de dois modos. Um deles por meio de transferência direta, em forma de ordenação de despesas. O dinheiro teria sido depositado em contas bancárias de pessoas que, segundo a Justiça, não tinham envolvimento com a prefeitura, mas seria ligadas a pelo menos um dos denunciados.
Outro meio era por contratações de empresa para prestação de serviços médicos e de diagnóstico e convênios com a cidade. Um dos denunciados era responsável pelas indicações dos outros membros da associação criminosa para trabalhar na secretaria de Saúde de Barra do Piraí e ainda era o dono da empresa contratada, aponta a investigação do MPF.
De acordo com a Justiça, a associação criminosa se dividia em dois núcleos distintos. Um estaria instalado dentro do poder Executivo. O segundo seria integrado por terceiros que emprestavam contas bancárias para receber os recursos públicos desviados pelo grupo.
O site Papa Goiaba, do jornalista Jeff Castro, publicou que o secretário de Saúde na época, Alexandre de Carvalho, foi nomeado pelo prefeito interino, Pastor Monteiro (PRB), com o apoio do presidente da comissão permanente de Saúde da Câmara da cidade, o vereador Pedrinho ADL, também do PRB. O cargo teria sido indicação do secretário de Saúde do Estado na época, Sérgio Cortes, o mesmo denunciado e preso no esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral. Na foto, todos aparecem juntos em um evento na cidade.

O grupo político foi indiciado por associação criminosa, desvio de recursos públicos, praticado 108 vezes, em transferências bancárias e repasses do Hospital Maternidade Maria de Nazaré. Outros respondem por desvio de dinheiro público.
O prefeito interino, Pastor Monteiro, trabalhou na campanha do atual prefeito, Mário Esteves (Foto Capa). Foi eleito vereador e se licenciou para ser secretário de Agricultura no atual governo do companheiro de partido. Até o momento desta publicação, Monteiro permanece como secretário na cidade, como consta no boletim oficial da prefeitura, publicado no último dia 3 de outubro deste ano.

O atual prefeito se defende e afirma que o mandato dele começou em 2017. Ele preferiu não comentar a investigação do MPF que se refere a fatos de 2013, quatro anos antes da gestão dele. Mário ainda afirma que “não tinha qualquer cargo eletivo na época e nem é citado em nenhuma investigação”. O prefeito declarou ainda que a prefeitura está “à disposição” para colaborar com as investigações.
Tentamos contato com o atual secretário de Agricultura de Barra do Piraí, mas não conseguimos resposta. O ex-secretário Alexandre Carvalho também não foi encontrado. Caso os dois se pronunciem, esta matéria será atualizada.
Fotos: Reprodução / Papagoiaba.com

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