Atualizado às 11h24min.


RODRIGO MATIAS

Estamos no sexto mês do ano de 2019, a primeira quinzena nem chegou e já está quente a política nacional.

O jornalista Glenn Greenwald, que tem um relacionamento conjugal com o deputado federal do PSOL David Miranda, escreveu uma matéria para o “The Intercept”, em que revela mensagens secretas da “Operação Lava-Jato”. Em especial, conversas, fotos, vídeos, documentos e áudios que mostram uma suposta ação coordenada entre o então juiz, atual ministro, Sérgio Moro e o procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol.

Isso está dando o que falar, em especial os áudios. Pois, a conduta fere o princípio de imparcialidade previsto na Constituição e no Código de Ética da Magistratura.

Eu ouvi os áudios de Moro e Dallagnol, e li alguns dos documentos. Até onde ouvi e li, não houve crime, mas houve a quebra de princípios éticos. O que é “engraçado”, pois o que estão fazendo com Moro agora é muito próximo do que o ex-juiz fez com Lula no passado. Mas é preciso ponderar algumas coisas.

Primeiro, Moro foi hackeado esse ano, ainda não se sabe como, o que é crime. No passado ele havia grampeado o motorista de Lula e vazou os áudios, a decisão de fazer isso, ou não, cabia ao então juiz Moro, e ele preferiu fazer dessa forma.

Segundo, o juiz e um promotor conversarem sobre um caso e provas é normal. Um juiz coordenar uma força tarefa contra alguém que ele está julgando, não.

Por último, Moro reclama do vazamento de suas conversas, mas já disse que “governados devem saber o que fazem os governantes”.

Hoje está em jogo três debates importantes. Primeiro, o ‘hackeamento’ do aplicativo de mensagens e das conversas. O conflito privacidade versus interesse público. Segundo, o papel de Sérgio Moro na Lava-Jato indo além das prerrogativas dele como magistrado. Em terceiro, a possibilidade de “fabricação de provas” por Dallagnol, com base em diversos erros e incongruências na apuração dos fatos.

Se não me engano, em 2016, o próprio Dallagnol disse que “no conflito entre direito à informação sobre crime grave e direito à privacidade, ganha o interesse público”. Sob essa ótica, apesar da ilegalidade, o vazamento das mensagens entre os juristas passa a ser de interesse público.

Faço uma breve pausa nessa reflexão para repetir um frase dita pelos irmãos Gomes, primeiro por Sid e depois por Ciro: “O LULA ESTÁ PRESO, BABACA”, e eu acrescento, seria bom se permanecesse assim. No entanto, os recentes acontecimentos podem por em dúvida toda legitimidade da operação que o levou à cadeia, pela quebra de um princípio.

Mais uma, das diversas “bombas” do atual governo. Estaria ele “desmoronado”, ainda mais agora com o caso Moro? E já peço perdão pelo trocadilho respondendo que ainda é muito cedo para dizer.

E você, o que acha? Deixe um comentário. Até a próxima semana.

 

 


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