Prefeitura decreta volta às aulas e Sepe reage
Foto: Divulgação/PMP.
<
PINHEIRAL

Atualizado às 13h46min.
A secretaria de Educação de Pinheiral descontou os três dias de greve dos profissionais da pasta contra o retorno das aulas presenciais na cidade. O anúncio do desconto pegou os servidores de surpresa, assim que pegaram o último contra-cheque. A manifestação aconteceu no mês de março, quando o prefeito havia decretado a volta dos servidores para as escolas.
Os descontos variaram de R$ 110 a R$ 230 reais em média, dependendo do cargo e salário. O desconto foi feito até contra profissionais que estavam de atestado médico, segundo o Sepe. O anúncio dos descontos foi feito na reunião entre o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro) do núcleo Pinheira/Piraí e o secretário de Educação, Fernando Cabral. Mesmo o Sepe alegando que o ato de greve contra as aulas presenciais foi legal, a prefeitura decidiu descontar os valores arbitrariamente, sem motivo aparente, segundo o sindicato.
– Esse desconto é ilegal e já protocolamos um documento na prefeitura contra o retorno das aulas e sobre manter a greve presencial. A previsão de greve é garantida por lei. O argumento da prefeitura de que as crianças estão em vulnerabilidade é raso. Eles ficarão muito mais expostos a um vírus que já matou mais de 400 mil pessoas no país e ainda vai expor os profissionais de educação – frisou a diretora do Sepe, Aline Alice de Lima.
Uma assembleia do Sepe, realizada na noite de quinta-feira (29), decidiu pela manutenção da greve de atividades presenciais. As aulas remotas, como acontecem desde o início da pandemia, permanece sem alteração.
O Sepe disse que a prefeitura não deu motivo legal para os descontos e disse ao sindicato que só vai se manifestar na Justiça. O secretário afirmou na reunião que vai começar a vacinação dos profissionais da Educação. Porém, isso será feito seguindo a determinação do Ministério da Saúde, onde os mais velhos serão vacinados primeiro.
O prefeito Ednardo Barbosa decretou o retorno das aulas presenciais na próxima segunda-feira (3). Isso ainda sem um rodízio programado e com professores cumprindo horário na escola, mesmo que não tenha aluno em sala. No entanto, a prefeitura diz que “retorno dos alunos ficará a critério do responsável legal, permitir ou não a participação do aluno, devendo haver o máximo de 50% da capacidade de alunos na sala de aula, respeitando o distanciamento de, no mínimo, 1,5m entre os estudantes e as respectivas carteiras”. O retorno será gradual dividido em três fases.
Em março, conseguimos imagens e conversamos com servidores que revelaram que faltavam álcool em gel e algumas escolas. Além disso, havia problemas de abastecimento de água. Itens essenciais para tentar evitar a proliferação do vírus da Covid-19.
A prefeitura proibiu, como forma de evitar contágio, as atividades com rodinhas, círculos, semicírculos e recreios. As atividades em grupos de estudantes, incluindo o trabalho diversificado, deverão ser canceladas. Sem falar a checagem de temperatura nas entradas. Se a temperatura estiver acima dos 37°, o aluno será conduzido ao Centro de Triagem para Covid-19.
– Do jeito que a prefeitura quer o retorno é arriscado para todo mundo. Alunos e professores, sem vacina e dentro do mesmo ambiente é expor todos. Apesar de sabermos que a escola tem um papel social não é esse o principal papel. Voltar só por isso é genocídio. Os alunos têm opção de não ir e se é assim pelo menos que isso aconteça quando os profissionais forem vacinados. Todos os pedidos que fizemos para melhorar as aulas remotas, rodízio escalonado para os profissionais de apoio e ainda tentaram diminuir o apoio da classe cortando salários – desabafou a diretora do Sepe.
Enviamos um pedido de explicações para prefeitura de Pinheiral. Até o momento desta publicação, quase 24h após o envio do pedido, a assessoria de imprensa não havia se manifestado. Caso enviem uma nota, esta matéria será atualizada.

Comentários via Redes Sociais ou no portal:
(O Sul Fluminense Online não se responsabiliza por comentários na matéria).