Atualizado às 17h12.


Volta Redonda

Homens do Corpo de Bombeiros reiniciaram as buscas na manhã desta terça-feira (14), pelo corpo que apareceu boiando no Rio Paraíba do Sul, altura do bairro Retiro, em Volta Redonda, na manhã de ontem (13).

Curiosos lotavam desde cedo o ponto próximo a elevatória da CSN desde as primeiras horas do dia. Familiares do rapaz que desaparecido há seis dias, em Barra Mansa, acreditam que o corpo seja de Valmir da Silva Lourenço, de 27 anos. A mãe, irmão, tio e cunhados cobravam mais eficiência no trabalho de retirada do corpo.

Bote encheu d’água em momento de tensão das buscas pelo corpo no Paraíba do Sul. (Foto: Evandro Freitas)

O cunhado da suposta vítima, Luiz Paulo Ambrósio, contou que a família está inconformada com a demora na retirar o corpo do rio. “Houve um descaso muito grande. Ontem de manhã o corpo estava aqui próximo da margem e ninguém retirou da água. É muito tempo nesse sofrimento. Como a gente fica sem saber se é ele mesmo. Tudo indica que é. De 10h até 16h nada foi feito. Eles conseguiram colocar outras pessoas em risco mandando a draga para resgatar o corpo. Não isolaram a área, nem colocaram uma viatura aqui para guardar o local. Estou aqui desde as 6h da manhã e nada dos Bombeiros. Nós da família estamos agoniados e sem dormir desde ontem”, desabafou.

A mãe do rapaz desaparecido, muito abalada, era amparada por familiares. A irmã, que afirmou que o corpo era do irmão, também não entende porque ele não foi retirado do rio. “Eles podiam ter tirado o corpo ontem (13). Não me conformo porque não fizeram isso. Só queremos enterrar ele. Tenho certeza que é ele. Apenas queríamos que essa agonia da espera terminasse”, lamentou.

A equipe de mergulhadores chegou ao local por volta das 9h30min. A draga continuava presa na correnteza entre as pilastras da barragem. A maré estava mais forte do que a do dia anterior. Os Bombeiros usaram um bote inflável para entrar no rio. Uma corda foi amarrada à draga para dar sustentação ao bote. Eles vasculharam o fundo do rio por quase três horas seguidas, mas nada foi encontrado. Em um momento de tensão o bote começou a encher de água, mas os mergulhadores conseguiram controlar a situação.

Mergulhador procura corpo que poderia ter afundado com a força da água. (Foto: Evandro Freitas)

Um dos agentes disse que havia apenas lixo no fundo do rio. A visibilidade, segundo ele, é praticamente zero. As buscas foram paralisadas perto da 13h da tarde. Os Bombeiros avisaram que a tarde fariam uma varredura, rio abaixo, em busca do corpo.

Desesperada com a demora, a mãe do rapaz gritou com os agentes. Ele pedia que eles encontrassem o corpo do filho de qualquer maneira. Um dos mergulhadores conversou com a família e garantiu que o corpo do rapaz seria encontrado.

Resgate da Draga

Os Bombeiros fizeram a retirada da draga que ficou presa na correnteza. A tentativa de retirar o corpo do rio nesta segunda-feira (12), por pouco não termina em acidente para três bombeiros e o piloto da embarcação. A correnteza quase virou a embarcação e os tripulantes precisaram ser resgatados as pressas pelo helicóptero que veio às pressas para o resgate.

O piloto da draga, que não quis se identificar, disse apenas que a embarcação era da frota reserva de uma empresa que faz extração de areia no rio. Segundo ele, a draga havia acabado de passar por uma manutenção. Ele informou que a tentativa era ajudar os Bombeiros retirarem o corpo, mas não funcionou.

Um dos mergulhadores precisou subir na draga para amarrar uma corda na proa (frente) do barco. Homens do 22º GBM (Grupamento de Bombeiro Militar) e populares que acompanhavam o resgate, ajudaram a puxar a draga até a margem. Cerca de 20 homens foram necessários para trazer a embarcação até a margem.

A embarcação ficou presa e chegou a danificar uma das pilastras de concreto. Por causa da correnteza o bico do barco se chocou diversas vezes contra a estrutura. O piloto da draga, que pertence a um areal, veio para avaliar os danos à embarcação.