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Atualizado às 22h40min.

VOLTA REDONDA
Um grupo de moradores contra o fechamento de um Ciep do Estado, em Volta Redonda, no Sul do Rio, resistem a decisão de interromper as atividades de uma escola na cidade. Manifestantes acamparam na entrada principal do Ciep 403 – Professora Maria de Lourdes Giovanetti, impedindo a retirada do mobiliário.
SUL FLUMINENSE ONLINE esteve, com EXCLUSIVIDADE, na quinta-feira (27) nossa equipe foi até a escola, em que os moradores e pai de alunos resistem ao fechamento da escola. Um caminhão do estado esteve na unidade, mas não conseguiu retirar nada da escola. O líder comunitário, Alan Cunha, disse não entender o por que do fechamento. Ele ainda questiona que a falta de alunos se deve ao não desbloqueio de novas vagas para quem gostaria de estudar no colégio.
– Estamos tentando o desbloqueio de 28 alunos que estão matriculados aqui. Elas [matrículas] estão trancadas desde 2016, com o objetivo de fechar a unidade. Hoje as inscrições são feitas pela internet e não consta vaga aqui no Ciep 403. O estado quer sucatear essa escola. Não conseguimos entender por que – questionou.
Parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) argumentam que teriam sido fechadas 252 unidades escolares em todo estado, em dois anos. A maioria seria em periferias, atingindo jovens e adultos. A Lei 8.175/18, regulamenta que o fechamento ou transferência de escolas de ensino público devem seguir um “protocolo”. Uma recomendação foi expedida pelo Ministério Público Federal (MPF), de Volta Redonda recomendou que o secretário de Educação do Estado, Wagner Victer, apresentasse um “plano” para desocupação do prédio que envolvesse alternativas culturais, educativas e de formação profissional para moradores da região. 
O funcionário do Estado, Rogério Vale, que trabalha na escola, lembra que graças aos atos de corrupção de deputados e governadores como Pezão e Cabral contribuíram para o fechamento de unidades como o Ciep. “Há dois anos ajudamos nessa resistência contra o fechamento. Queremos cursos técnicos aqui. Um ensino médio de qualidade. No período do Pezão seríamos mais uma. O que precisamos é da unidade funcionando”, pediu o servidor.
Cartazes e acampamento na porta da escola tentam impedir retirada de mobiliário. (EVANDRO FREITAS).
Moradores e alunos são contra o fechamento e protestam e apoiam o movimento. Uns acreditam que o fechamento pode trazer falta de segurança para o local. “Moro aqui perto e acredito que o fechamento é ruim para todo mundo”, lembrou a comerciante Mirian Dantas da Silva. Assim com a ex-aluna da escola, Camila Ramos, ficou oito anos no ensino fundamental e terminou o Ensino Médio. Ela lamenta o possível fechamento. “É uma falta de respeito com os 16 mil habitantes que moram aqui. A escola pode continuar aberta pela estrutura que tem. Muitos não têm recursos para estudar fora do bairro”, frisou.
O líder comunitário lembra que no último dia 21 de dezembro, a Alerj revogou o fechamento de dez escolas estaduais. O Ciep do Açude está entre elas, segundo Alan. A decisão tomada por um decreto legislativo foi promulgada e publicada em Diário Oficial da Assembleia Legislativa. (Fotos: Exclusivas – Evandro Freitas).
Escola poderia ser usada para curso técnicos, projetos culturais e pedagógicos para comunidade. (EVANDRO FREITAS).