Coluna Rodrigo Matias
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RODRIGO MATIAS

Atualizado às 12h30min.
Você já ouviu falar de Morpheus? E não, não estou falando daquele da trilogia Matrix. O nome dele foi inspirado no mito que quero falar com vocês hoje.
Segundo a mitologia grega, Morfeu ou Morpheus, era um deus filho de Hipnos, o deus do sono. Assim como o seu pai, ele dispunha de grandes asas que o fazia vagar silenciosamente pelos mais distantes lugares da Terra. Ao aproveitar do repouso dos homens, Morfeu assumia formas humanas e ocupava os sonhos de quem quisesse. Desse modo, os gregos acreditavam que uma noite bem dormida e seus vários efeitos positivos só seriam explicados pela presença dessa divindade em seus sonhos.
Foi justamente por meio dessa expressão e da história de Morfeu que um dos mais potentes analgésicos existentes, a morfina, ganhou esse nome. No fim das contas, mesmo que a mitologia não tenha embasamento científico, sabemos que uma noite de bom descanso é realmente divino. Concordam?
Daí vem também a expressão: “Cair nos braços de Morfeu”, para falar que vai dormir. E sonhar…

Sonho é outra palavra interessante

O castelhano tem duas palavras homônimas com significados diferentes para sonho. Embora não muito distantes: ‘sueño’ (sonho) para designar o ato de dormir e ‘sueño’ como representação dos eventos e imagens na mente de quem dorme. Ambas provêm do latim, a primeira de ‘somnus’, e a segunda, de ‘somnium’. Esta equivalência não ocorre nas demais línguas românicas. No português e em galego distinguem-se sono e sonho (em galego soño); em catalão ‘son’ e ‘somni’; em francês, o ato de dormir é chamado ‘sommeil’ e o de sonhar, rêve. Já no italiano ambas as ideias se expressam como ‘sonno’ e ‘sogno’.
No entanto, observa-se que é frequente, pelo menos no catalão, que haja transgressões à oposição entre esses vocábulos.
A tentativa mais conhecida para contornar a confusão causada pela homonímia destes dois conceitos se observa na tradução espanhola das obras de Sigmund Freud, na qual o tradutor Luis Lopez-Ballesteros de Torre usou ‘sueño’ para se referir ao ato de dormir e ‘ensueño’ para mencionar o ato de sonhar. Muito citado e tão importante no universo freudiano.
As duas palavras latinas que deram origem a ambas as formas de ‘sueño’ provêm da antiquíssima voz indo-europeia ‘swep-no’ que, trocando o sufixo -no por -os, como ‘swep-os’, deu lugar ao latim ‘sopor’ (adormecimento), que chegou ao espanhol com o mesmo significado.
Felizmente os seres humanos tendem, também, a sonhar acordados. É o que possibilita a construção das utopias e a busca de novos horizontes. Aproveitando esse tempo de pandemia para cair nos braços de Morfeu e sonhar. Se não conseguir, sonhe acordado mesmo. Tenha sempre esperança em dias melhores, ainda que seja um devaneio (sonho).
Estoque fé e compartilhe esperança! O que você pensa sobre isso? Deixe um comentário e até a próxima semana.

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