Atualizado às 15h13min.

NACIONAL 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ordenou retirar do mercado cerca de 200 lotes contaminados de remédios para a hipertensão no Brasil. A Anvisa afirma que perto de 200 lotes desses remédios contêm impurezas que podem aumentar o risco de ter câncer.
Os lotes com princípio ativo chamado Losartana, Valsartana pode conter substância que causaria câncer se ingerido a longo prazo. “Sou diabética e não posso ficar sem o remédio para contra a pressão arterial”, falou uma paciente de Volta Redonda, que toma mais de 20 medicamentos por dia.
Em todos esses lotes, o princípio ativo – o ingrediente principal do remédio – foi produzido ou na China ou na Índia. Diferentes indústrias farmacêuticas compraram esses princípios ativos para fabricar os remédios. A Anvisa determinou o recolhimento desses lotes aqui no Brasil. Inspecionou 111 medicamentos e vistoriou 29 empresas, entre indústrias, importadoras e distribuidoras.
A agência diz que os princípios ativos importados são testados no Brasil, mas que esse tipo de impureza é um problema novo. “Até julho de 2018, nenhuma autoridade sanitária mundial e nenhuma empresa fabricante dessa classe de compostos imaginava ser possível a presença destas substâncias nessa classe de insumos farmacêuticos ativos. A partir do momento em que se verificou essa possibilidade, todas as especificações estão sendo revistas e a necessidade desse controle está sendo efetuada no momento”, explica Ronaldo Gomes, gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa.
A presença dessas impurezas foi descoberta na Europa, em 2018. As farmácias já estão recolhendo os remédios. Agora, o mais importante nessa história é não parar de tomar remédio para a hipertensão.
A Anvisa explica que o risco para a saúde não é imediato. É pequeno. Até se alguém tomar esse remédio com impurezas na dose máxima e durante vários anos.
O presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Rui Póvoa, afirma que quem precisa controlar a pressão e para de tomar remédio é que corre risco imediato: “O indivíduo hipertenso, se ele parar de tomar o remédio, pode subir muito a pressão e ele ter um derrame cerebral. Pode ter um ataque cardíaco, ter um infarto do miocárdio. Então, continua tomando o remédio e vai trocar o lote que está com problema. E, enquanto não trocar, continua tomando o que tem”.
Muitas caixinhas de remédio que precisam ser recolhidas já não estão mais nas farmácias e, sim, nas casas de quem sofre de pressão alta. Por isso, é importante olhar se o remédio é de algum lote divulgado pela Anvisa.
O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos declarou que o recolhimento de medicamentos que estejam fora do padrão é um procedimento de rotina da Anvisa, com o apoio da indústria farmacêutica. E que a oferta de produtos para hipertensão não vai ser prejudicada.
Para o consumidor, a Anvisa preparou uma lista com os números de lotes dos medicamentos que devem ser recolhidos, que pode ser rapidamente consultada. Basta verificar o número do lote que consta na caixa do medicamento e conferir aqui.
Para explicar o assunto com mais detalhes, a Anvisa publicou uma nota com várias informações sobre o tema para esclarecer e orientar a população. Confira aqui. (Foto: Ilustrativa).
 
 

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