Atualizado às 22h05min.

MUNDO
O ano passado foi o quarto mais quente desde o início da medição das temperaturas globais, revelou um relatório da ONU publicado na última quarta-feira (06). O estudo mostrou ainda que os anos entre 2015 e 2018 foram os quatro mais quentes da história.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 2018, as temperaturas médias globais registradas ficaram 1°C acima da média do período pré-industrial. O relatório teve como base dados recolhidos por agências meteorológicas dos EUA, do Reino Unido, do Japão e da Europa.
O ano passado foi marcado por eventos climáticos extremos, como incêndios florestais na Califórnia e na Grécia, seca na África do Sul e inundações na Índia. Além do calor, as emissões de gases do efeito estufa, principalmente as originárias da queima de combustíveis fósseis, também bateram recorde em 2018.
– A tendência de temperatura em longo prazo é mais importante do que o ranking de anos individuais. Essa tendência é de subida. Os 20 anos mais quente já registrados estiveram entre os últimos 22 anos – destacou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Segundo Taalas, o nível de aquecimento nos últimos quatro anos é excepcional, tanto o registrado em terra, quanto nos oceanos. “Muitos dos eventos climáticos extremos são coerentes com o que esperamos de um clima em mudança. Essa é uma realidade que precisamos encarar”, destacou.
A ONU prevê que o ritmo de aquecimento observado nos últimos anos se mantenha em 2019. A Austrália registrou neste ano o janeiro mais quente de sua história. O secretário-geral da OMM destacou que a onda de frio extrema que atingiu os Estados Unidos nas últimas semanas, com temperaturas que chegaram a -53°C, também é um efeito das mudanças climáticas. “Parte das anomalias de frio pode estar relacionada a alterações dramáticas no Ártico”, acrescentou.
Os dados da OMM, cujos primeiros registros foram feitos no século 19, mostram que o ano mais quente da história foi 2016, impulsionado pelo fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. Para combater as mudanças climáticas, cerca de 200 países adotaram o Acordo de Paris, em 2015, que visa diminuir as emissões que impulsionam o aquecimento global e tentar limitar o aumento da temperatura do planeta a até 2°C em relação à média registrada no período pré-industrial.

Segundo a ONU, se não for feito o suficiente para reduzir as emissões, o aumento da temperatura global pode passar dos 3°C até 2100. “Os impactos do aquecimento global no longo prazo já estão sendo sentidos em inundações costeiras, ondas de calor, intensa precipitação e mudanças nos ecossistemas”, ressaltou Gavin Schmidt, da Nasa.
Somente os Estados Unidos foram atingidos por 14 desastres climáticos no ano passado, incluindo furacões e incêndios florestais, o que resultou em prejuízos bilionários. (Fotos: Ilustrativas).

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