Atualizado às 17h32min.

RODRIGO MATIAS – COLUNISTA

Você já deve ter visto, ou lido, nas redes sociais as frases: “VOCÊS QUE LUTEM” ou “EU QUE LUTE”.
Eu admito, essas frases me incomodam. Principalmente nos vários contextos que as tenho visto sendo usadas. Nesse retorno das férias, vejo a necessidade de falar sobre isso nesse primeiro texto de 2020.
A história toda começou em outubro de 2016, quando Geisy Arruda foi fazer uma matéria ao lado de Gracyanne Barbosa. Ao publicar uma foto dos bastidores, a repórter usou a frase “elas que lutem” para falar sobre o trabalho duro de se ter um bumbum igual ao da modelo de fisioculturismo.
Mesmo com a publicação antiga, não demorou muito para que, em agosto de 2019, a galera das redes sociais se aproveitasse da frase para transformá-la no novo “patrimônio” dos memes. O emprego, ou empregos, atual dessa expressão tem me incomodado.
Entenda, não quero aqui ser o “explica meme” ou “politicamente correto”, mas fazer refletir no que se está reproduzindo. O ser humano é um ser social, sabia? Não fomos feitos para ficarmos sozinhos, inclusive biologicamente. Quer um exemplo prático?
Pense em uma prisão. Quem vai para lá? Criminosos, certo? Ou, pelo menos, quem o tribunal julgar ser um. Ladrões, assassinos, estupradores e outros. Em um regime fechado, ausência de liberdade é, em teoria, com o pior da sociedade. Qual o pior castigo em um ambiente desse? A solitária! Quando você é privado do convívio com outros presos. Ou seja, ficar sozinho. Total solidão.
É sempre bom lembrar, não confunda solidão com “solitude”. Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão. Talvez seja um bom tema para um próximo texto.
Voltando… você até pode lutar, mas não sozinho. David Hume certa vez escreveu: “Quando uma bola de bilhar choca com outra, a segunda deve mover-se”. Somos movidos pelo outro, de forma agressiva, ou não. É uma ilusão achar que podemos viver e realizar sozinhos. Um patrão precisa dos seus empregados, políticos de seus eleitores, um rei de seus súditos e os exemplos são amplos. Ninguém está tão alto que possa ter chegado lá sozinho e permanecer lá só.
“EU QUE LUTE”, “VOCÊS QUE LUTEM”, mas não sozinhos. Tenha sempre pessoas aos seu lado para lhe impulsionar, nem que seja com um “pé no traseiro”, no melhor dos sentidos, claro.
O que você acha? Deixe um comentário e até a próxima semana.

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