Atualizado às 19h05min.


PIRAÍ

Um espaço onde cultura, fé e história juntos a favor da preservação da memória e em prol da vida. Assim definem os moradores e quem utiliza o Casarão Cultural – Memórias do Vale do Café, do Paraíba e dos Tambores, no distrito de Arrozal, em Piraí-RJ. A construção do antigo casarão do século XXVII, foi reinaugurado nesta terça-feira (30). O prédio foi doado para diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda-RJ depois de ser de duas famílias.

O projeto de restauração do Casarão foi aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), por meio das Leis de Incentivo à Cultura Federal e Estadual. A obra teve início em 2014, custou cerca de R$ 2 milhões e contou com patrocínio da Petrobras, Light, CCR e Ceg.

Estiveram presentes na reabertura do prédio o bispo da diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda, dom Francisco Biasin, o governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, a irmã Elizabeth Alves, idealizadora do projeto e presidente da Associação dos Comunicadores de Arrozal, o prefeito de Piraí, Luiz Antonio da Silva Neves, patrocinadores e deputados estaduais e federais, vereadores e a comunidade do distrito.

Não se sabe ao certo a data de construção do imóvel, o que se conhece como marco são os anos de 1730, quando a casa pertenceu à família Breves, tradicional em Piraí. Posteriormente foi destinada à igreja católica, nos anos 1980, à diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda. Desde então, o casarão se tornou não só um local para a realização de atividades da Igreja Católica como de toda a comunidade de Arrozal, como conta a irmã Elizabeth Alves.

– Fui buscada por Dom Waldyr, em Quatis-RJ, onde eu trabalhava, para implantar a Pastoral da Criança em Arrozal, que é um serviço à vida, criada pela doutora Zilda Arns Neumann. Quando nós fizemos o primeiro levantamento em Arrozal com crianças de 0 a 5 anos, vimos que tinham 280. Onde pesar tanta criança? Fui conversar com dom Waldyr e ele sugeriu o Casarão. Então começamos a trabalhar a finalidade desse Casarão, a vida em primeiro lugar sob todas as formas de cultura – lembrou.

Casarão quer se tornar ponto turístico, cultura e gastronômico do distrito de Piraí-RJ. (JEAN ALVES)

O espaço abriga atualmente atividades socioculturais que atendem a cerca de 10.000 mil pessoas por mês. São atividades da Pastoral da Criança, que trabalha com oficinas de artesanato, alimentação e farmácia alternativas, rádio comunitária, aulas de Jongo e oficinas culturais que recebem o apoio da prefeitura.

De acordo com o prefeito de Piraí, Luiz Antonio (PDT), a proposta é atrair turistas para o distrito. “Esse Casarão representará ainda mais para o município de Piraí e em especial para a população de Arrozal. Estamos em conversa para construção de um hotel, um banco e um posto de gasolina dentro do distrito, que não tem. Em breve, e já em desenvolvimento, temos um projeto de um polo gastronômico aqui. Tudo tentar agregar e movimentar ainda mais a economia da cidade e, principalmente, do distrito”, ressaltou.

A nova sede ganhou ainda novos espaços como o auditório, sala multiuso, salas de exposição temporárias, bistrô com café colonial, área externa e o anfiteatro.   Durante este período de restauração a própria comunidade pôde participar ativamente do processo. O projeto Obra Escola capacitou 35 moradores do distrito para atuar em diversas funções e etapas desenvolvidas dentro de uma obra de restauro.

– A cultura parte do chão que nós pisamos. Não tem uma cultura genérica, ela parte da alma do povo que interpreta os acontecimentos locais, mas também do Brasil e do mundo. O fato do Casarão ter toda essa história e pertencer à mitra diocesana é para todos nós uma grande responsabilidade e uma grande alegria porque sempre temos que fazer o casamento entre fé e cultura – destacou o bispo, dom Francisco.

Jongo é uma das manifestações culturais presentes no casarão. (JEAN ALVES)

Pezão lembrou no discurso que brincava na casa do avô que ficava ao lado do casarão, quando criança. Agradeceu a oportunidade de inaugurar uma memória dele, no “último ano de governo”. Em entrevista para imprensa ressaltou a satisfação em ver o espaço revitalizado. A mulher de Pezão é a vice-presidente da associação cultural que atua no casarão e fomenta os projetos, presidida pela Irmã Elizabeth.

– Fico feliz em ver essa memória que tenho de infância restaurado – resumiu.

Perguntado pelo SUL FLUMINENSE ONLINE, sobre a abertura do Hospital Regional, prometida por ele para janeiro, que foi transferida para em março.

– O processo licitatório e devemos abrir agora com alguns leitos de CTI (Centro de Tratamento Intensivo). Estamos vendo também a parte de imagem. Mas isso será visto com o secretário de saúde (estadual) e os secretários daqui. Acredito que março seja a data final para começarmos as atividades – garantiu Pezão.

O senhor Edgar Camilo, mestre de jongo, aos 79 anos, passou boa parte da vida dentro do casarão. Ele diz que viu o casarão acabar e “nascer novamente”.

– Queremos que as crianças precisam aprender e quando eu partir alguém dá continuidade a esse trabalho. Espero poder viver mais uns dias para ver esse local muito visitado. Porque isso vai melhorar para todo mundo, se acontecer – afirmou.

Conheça a História do Casarão

Projetos culturais e gratuitos são realizados no Casarão. Além da Pastoral da Criança. (JEAN ALVES)

O Casarão, ou antiga Fazenda Sobrado, como era conhecido, é localizado na praça principal do distrito de Arrozal, e faz parte do patrimônio histórico e cultural da cidade de Piraí. O local é um ícone do seu tempo e é um exemplo da arquitetura civil que marca o Ciclo do Café.

Antiga sede da Fazenda Cachoeira, o prédio em estilo colonial hoje abriga um centro cultural, o Memórias do Vale. É lá que está o Museu do Negro, cujo acervo contém peças usadas pelos escravos que trabalhavam nas fazendas de café e de arroz da região, no século XVIII. O Centro Cultural Memórias do Vale sedia também a Associação dos Comunicadores de Arrozal, que é ponto de cultura e organiza a rádio comunitária local.

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