Atualizado às 22h15min.


VOLTA REDONDA

O presidente da Câmara de Volta Redonda-RJ, Sidney Dinho (PEN), reuniu a imprensa, na tarde dessa quinta-feira (21), para anunciar que o valor a ser devolvido para prefeitura esse ano. Serão quase  R$ 840 mil (R$ 839.693,70). Quantidade R$ 200 mil a mais do que ele havia estimado na última coletiva, realizada no dia 12 de dezembro.

Dinho fez o anúncio ao lado dos dois contadores da Câmara, Marcello Mesquita, Chefe Divisão de Contabilidade, e Marcos Aurélio Ramos, Chefe Sessão de Escrituração e Controle, ambos servidores de carreira da CMVR. Os contabilistas explicaram que vários fatores contribuíram para gerar a economia. Dentre eles a mudança na regra do teto constitucional do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ). O valor que pode ser usado é de 70% do duodendo repassado pelo Executivo. “Em 2006 e 2007 tivemos as maiores devoluções da Câmara para prefeitura. Os valores passaram de R$ 1 milhão. Na ocasião tínhamos 14 vereadores. Diferente de hoje, que temos 21. Essa foi a primeira administração da CMVR com as novas regras. Com elas e com o esforço de não gastar sem necessidade, o presidente Dinho conseguiu chegar a esse valor”, explicou Marcello.

Dinho comentou que tentou marcar com o prefeito para a entrega, símbolica, do valor a ser devolvido. Simbólica porque se trata de uma ordem de pagamento que é feita e o restante se limita a transações bancárias. Não conseguiu, segundo informou a secretária do prefeito Samuca Silva (PODEMOS), que a agenta do chefe do Executivo estava cheia. A ordem de pagamento para devolução será feita nessa sexta-feira (22).

– Queria aproveitar para agradecer os servidores dessa casa. O bom trabalho é mérito deles. Na presença dos dois contadores da Casa, que para mim atuaram muito bem para essa brilhante devolução. Senão fosse os servidores ajudarem na revisão dos contratos, naquele que apagou a luz que estava acesa, todos (…) Acredito que tomei medidas mais enérgicas quando achei necessário. Tudo para que chegássemos a esse resultado positivo – destacou o presidente.

 O SUL FLUMINENSE ONLINE esteve com o prefeito, na última segunda (18). Perguntamos a ele onde ele pensava em aplicar o recurso. Samuca não deu detalhes, mas comemorou a devolução e disse que reforçaria o caixa da prefeitura. Questionado várias vezes pela imprensa sobre a opinião para onde deveria ir o dinheiro, Dinho prefeiriu não dar opinião pessoal de onde poderia ser aplicado o dinheiro. Mesmo assim, comentou que gostaria que fosse investido o valor devolvido.

 – Recebi mães preocupadas com uniformes nas escolas municipais. Sabemos que existe uma demanda gigante na saúde. Assim como na Guarda Municipal, tão importante para nossa cidade, que poderia ter uniformes melhores e uma frota mais equipada para efetuar o serviço – afirmou.

 Ao falar sobre alianças políticas em 2018, Dinho não reluta em dizer que apoiou o prefeito no ano a frente do Legislativo.

– Demos um voto de confiança ao primeiro ano de mandato do prefeito. Caminhamos de mãos dadas e gosto muito de carregar a bandeira da independência entre os poderes. Vou votar com ele, quando estiver fazendo algo bom para população. Do mesmo jeito que posso ir contra, quando for diferente. Tentei ser imparcial e impessoal durante meu tempo na presidência. Meu mandato de vereador ficou de lado nesse tempo. Vamos ter um mandato nem de situação nem de oposição – garantiu.

Contas para 2018

(SUL FLUMINENSE ONLINE)

Segundo Dinho, a única conta que restará para o próximo presidente, Washington Granato, que assume em 01 de janeiro, será o resultado de 16 processos de licença prêmio, que não conseguiu fechar um acordo para o parcelamento.

– Queria ter pago os direitos dos servidores. Não pude fazer por causa do teto constitucional. Isso por causa da exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ). Usamos 69.76% do orçamento e fechamos dezembro com todos os salários em dia e décimo terceiro, quitado antes do dia 10 e no dia 19 pagamos os salários de dezembro – frisou.

 

CRISE X DEVOLUÇÃO

Perguntado sobre se ele achava justo devolver um valor tão expressivo em não aplicar na Casa, Dinho declarou que gostaria que a CMVR tivesse um fundo, nos moldes da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), onde o valor que sobra fica em uma conta para ser administrado no próximo ano.

– A prefeitura cumpriu rigorosamente com os pagamentos. Gostaria que tivesse um fundo para que o próximo gestor pudesse continuar a resolver os problemas. Isso demanda um projeto de lei, ser aprovado e sancionado. Ajudaria muito a Casa a se planejar para ampliar investimentos. Até comprar um imóvel ou aumentar alguma repartição – analisou.

INVESTIGAÇÃO: Samuca convoca PF

“Estamos vereadores para fiscalizar e vamos fazer isso em 2018”, afirmou Dinho. (SUL FLUMINENSE ONLINE)

Um colega da imprensa levantou uma questão polêmica sobre uma atitude do prefeito de pedir a Polícia Federal (PF) que investigue processos de licitação, com recursos federais, suspeitos de fraude, já na atual gestão.

Samuca levou documentos, nessa quarta-feira (20) que teriam indícios de irregularidades. Ele afirmou que a suspeita teria partido de informações de vereadores e denúncias recebidas pela ouvidoria do município.

– Como os recursos vêm do governo federal, cabe a PF investigar. Acredito que possa haver desvios de conduta por parte de agentes. Apesar dos nossos esforços, podem haver coisas que fogem. A Polícia Federal tem meios, competência e pessoal especializado para investigar – declarou Samuca a um jornal da região.

O prefeito disse que não iria dar detalhes para “não atrapalhar as investigações”. Sobre o caso, Dinho afirmou que encaminhou cinco requerimentos ao prefeito, mas não afirmou que entre as denúncias levantadas pelo prefeito, sejam oriundas de algum pedido dele.

– Mandei requerimentos pedindo copias de interior teor de cinco processos licitatórios da prefeitura. Com suspeita que possam ter irregularidades. Aqui na Câmara, quando houve um erro, em um processo para compra de material de informática, intervir no processo e foi revogada a licitação. Preferimos não comprar a dar um prejuízo para a Casa – explicou.

O requerimento foi feito na penúltima sessão. Os vereadores aprovaram e foi para prefeitura. Dinho ressaltou no fim da coletiva que gostaria que o documento que foi entregue na PF, também fosse levado ao Legislativo. Ele ainda revelou que os documentos seriam referentes à área da saúde, no Hospital Munir Rafull e outros setores da pasta.