Atualizado às 00h23min.


VOLTA REDONDA 

Parecia mesmo um Fla X Flu… De um lado, em maioria, representantes de igrejas, movimentos de estudantes, professores e famílias inteiras, contra a “Ideologia de Gênero”, lotaram o plenário da Câmara Municipal de Volta Redonda-RJ, na noite dessa terça-feira (05). Do outro, em menor número, representantes de movimentos LGBT’s, que tem uma opinião pró-ideologia. Um debate, que pareceu estar longe do fim. Ambos os lados tentando apresentar, de forma democrática, a posição no campo da discussão ideológica sobre o assunto.

Mesmo antes da audiência começar, manifestantes gritavam palavras de ordem e exibiam cartazes contra o tema. O reforço da Guarda Municipal foi convocado para manter a ordem na audiência. No fim a noite, um homem foi conduzido a delegacia por desacato.

Diálogo mesmo não aconteceu. A todo momento, quem usava a palavra em tribuna, seja vereador ou convidado, era interrompido. Ora por aplausos, ora por vaias e até acusações como “fascista” foram ouvidas no plenário. O debate sobre o tema foi pouco exercitado.

A audiência pública foi aberta pelo presidente da Câmara, Sidney Dinho (PEN), e comandada pelo vereador, autor do requerimento e da lei que proíbe a implantação de ideologia de gênero nas escolas, Paulo Conrado (PRTB). A lei foi contestada pelo Ministério Público Federal (MPF). Mesmo assim até a sentença final “permanece em vigor”, como defende Conrado. Dos 21 vereadores, 12 participaram da abertura da audiência. Alguns falaram sobre o tema e deixaram o plenário. Na mesa estiveram presentes as secretárias de Políticas Públicas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos, Dayse Penna; a de Educação, Rita de Cássia; a advogada formanda pela UFF, Christine Tonietto; a escritora e ativista pró-vida e pró-família, Sara Winter.

A ativista, Sara Winter, usou parte do tempo para criticar a postura de outro orador, ligado ao Sindicato dos Professores e a movimentos LGBT, que ofereceu a vez para que as mulheres falassem primeiro. No discurso, ela deixou claro a posição contra a ideologia de gênero. “Somos todos contra a qualquer violência contra o público LGBT. Estamos vivendo em uma situação caótica na segurança do nosso país. Sou mãe de uma menino de dois anos e todos aqui, pais e mães, nunca vão se calar diante de uma situação assim”, disparou.

A secretária de Educação, Rita de Cássia, ouviu muitas crítica durante a fala. Apesar disso, tentou deixar claro que, “em nenhum momento”, a secretaria discutiu o assunto dentro para a educação de Volta Redonda. Rita disse ainda que o único incidente foi a vinda de um material didático do MEC (Ministério da Educação) com alusão ao tema. “Tivemos uma capacitação com os nossos diretores para que não houvesse desrespeito, preconceito, bullying dentro das nossas escolas. Sobre o livro que o Ministério da Educação enviou foi dado ordem para que eles fossem devolvidos ao MEC. Portanto, retirados das escolas. Dentro da secretaria municipal de educação não tem esse assunto sendo discutido ou implantando”, afirmou a secretária.

Manifestantes dos dois lados com cartazes e palavras de ordem. a favor da ideologia de gênero. (SUL FLUMINENSE ONLINE)

O taxista, Moisés de Andrade, é pai de quatro filhos. Três deles ainda estudam na escola pública. Ele fez questão de ir a audiência. “Não sou contra a orientação sexual de ninguém, mas defendo que educar para isso é papel dos pais e não da escola. Vim aqui para entender o que está acontecendo. Saio feliz e acreditando que não haverá implantação dessa ideologia nas nossas escolas. Porque se isso acontecer vou lutar muito contra”, enfatizou.

Antes do fim da audiência, integrantes dos movimentos LGBT deixaram o plenário da Câmara. Não conseguimos ouvir um representante sobre o debate. O momento das perguntas serviu para mais discursos acalorados de ambos os lados. Uns a favor da ideologia e a maioria contra. Apenas uma pergunta foi respondida pela secretária. Ao ser questionada se ela era contra ou a favor da implantação, ela preferiu dizer que não é nem de um lado ou outro.

No fim, conversamos com o vereador Paulo Conrado (PRTB). Para ele, a audiência serviu para colocar “um ponto final” na discussão. “Uma participação maciça da população. Pudemos ouvir os dois lados como a gente esperava. Além de tudo democrático. Chegamos a conclusão de que a maioria da população não quer a ideologia de gênero nas escolas da nossa cidade”, destacou. Perguntamos ao parlamentar se haverá a necessidade de outra audiência como essa e ele foi direto ao negar. “Creio que não haverá necessidade. O objetivo foi alcançado e discutido amplamente”, finalizou.

A audiência que começou às 19h15min, terminou perto das 22h. Assistam flashs AO VIVO e vídeos EXCLUSIVOS da audiência na nossa página nas redes sociais (SUL FLUMINENSE ONLINE)