– ESPECIAL –


Atualizado às 23h10min.


VOLTA REDONDA/BARRA DO PIRAÍ

Foi sepultado na tarde desse domingo (19), no Cemitério Portal da Saudade, em Volta Redonda-RJ, o corpo do menino Geraldo Caetano Gonçalves Neto, de 11 anos, que morreu com diagnóstico de leucemia, conhecido como câncer no sangue. Apesar da doença, o menino pode ter sido espancado, dias antes, no CIEP 284 – Nelly de Toledo Rocha, em que estudava, no bairro Califórnia, distrito de Barra do Piraí-RJ. Uma suspeita levantada pela família.

O SUL FLUMINENSE ONLINE esteve com EXCLUSIVIDADE, no sepultamento do menino e conversou com vizinhos, familiares e amigos da família do garoto. Eles lamentaram o número de boatos a respeito o caso. Comentários que chegaram a culpar os avós do garoto pela morte dele. Quando na verdade, segundo a família, o menino teria sido agredido dentro da escola onde estudava, uma semana antes cair de cama e morrer.

O menino era criado, desde os 02 anos de idade, pelos avós maternos. O avô, com 83 anos, e a avó de 70  vivem com um salário mínimo e a renda de um trabalho de reciclagem que o avô faz. O casal mora de aluguel em uma casa simples do Bairro de Fátima, próximo a divisa de Volta Redonda com Barra do Piraí. Segundo contou à reportagem do SFO, parentes e vizinhos do menino, ele era uma criança normal, mas que “devia ser alvo de bullying na escola”.

– Ele era um menino muito tranquilo. Até envergonhado às vezes. Eu acredito que esse caso de agressão aconteceu sim. Pode até não ter sido o que matou ele, segundos os médicos falaram. Porém, ele contou ao avô que havia sido espancado na escola e que outros meninos tentaram até abusar sexualmente dele. Ele disse que ele foi segurado e agredido dentro da escola. Ele disse que ficou com medo porque eles ameaçaram de fazer de novo e até matar ele e os avós. Isso foi o que ele contou ao avô. O abuso acho que não aconteceu, mas não se sabe ao certo. Qualquer criança ficaria intimidade com isso – relatou uma amiga próxima da família.

Geraldinho, como era chamado, ficou uma semana sem ir a escola, com dores de cabeça. Supostamente depois das agressões. Parentes relataram que ele se escondia e cobria o corpo toda vez que um adulto perguntava o que tinha acontecido.

– Uma coisa que me deixa em dúvida é porque a direção de uma escola vai à casa de um aluno que está uma semana sem ir à aula. Nunca vi isso na minha vida. Na minha época se faltava dias e dias e ninguém ia na minha casa saber porque estou faltando. Nesse caso a diretora foi até a casa dele. Com qual objetivo essa diretora fez isso? Pelo simples fato dele estar doente. Tem um amigo que tem filho e estuda na escola e disse que o filho falou que o Geraldinho apanhou sim na escola. Se foi dentro ou fora não sei. Se teve realmente, não sei, mas hoje foi ele e amanhã pode ser o filho de alguém – frisou uma amiga da família.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Barra do Piraí, contactada na tarde desse domingo pela nossa equipe, uma comissão da Secretaria de Educação do município foi até a casa do menino. A assessoria confirmou que eles foram informados que ele estava com fortes dores de cabeça e por isso não estava frequentando as aulas. A assessoria disse ainda que nenhum relato de agressão foi passado pela família, durante a visita, mas que estariam acompanhando o caso de perto.

O que a família contou a nossa equipe é que a confissão do menino sobre a agressão teria vindo depois dessa visita. Poucos dias depois o estado de saúde dele se agravou e eles decidiram levar o menino para o hospital. Segundo os parentes, ele estava com vários hematomas pelo corpo e ninguém sabia a causa.

– O Geraldinho fez exames de rotina há três meses atrás e não constou nada. Tudo normal. Apenas o colesterol havia dado uma pequena alteração. O médico do INCA (Instituto Nacional do Câncer) para onde o menino foi transferido, depois de passar pelo Hospital São João Batista, em Volta Redonda, disse que a leucemia pode desencadear de forma aguda do nada. Isso pode ter sido o que aconteceu com ele. O fato dele ter sido espancado pode ter ajudado ou não nisso. Não sabemos. Fato é que um menino tão jovem se foi”, lamentou um parente que esteve com o avô do menino no INCA.

Segundo a família, o diagnóstico preliminar no Hospital São João Batista, para onde ele foi levado, é de que ele teria rompido uma artéria na cabeça. Não se sabe se por conta da doença ou alguma pancada. Vamos continuar acompanhando o caso. Na próxima terça (21) faremos contato com a família e com a prefeitura para saber o que está sendo feito para investigar a suposta agressão ao menino.