– ESPECIAL –


Atualizado às 23h22min.


VOLTA REDONDA 

Mais do que modismo, os alimentos orgânicos, aqueles que não usam nenhum tipo de agrotóxico durante o plantio, tem tomado conta da mesa dos. O consumidor que prefere pagar um pouco mais e consumir algo que não recebeu nenhuma química. Na demanda surgiu, o que pode ser considerado um nicho de mercado, que são os alimentos 100% ORGÂNICOS.

Volta Redonda, em uma das cidades da região, assim como Barra Mansa e Valença, que seguem a “moda” e instituíram uma feira, mesmo que de pequeno porte, somente com alimentos, verduras e frutas, totalmente orgânicos. Os produtores têm certificação da ABIO (Associação de Produtores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro), que atesta 100% o cultivo sem agrotóxicos. Amparado pela IN46, lei que regulamenta a atividade no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Governo Federal.

Essa temática de produção é baseada na “Agricultura Familiar”. Que consiste naquele produtor (a) rural que planta para consumo próprio e a produção que excede ele revende. Fora do modismo, hoje existem produtores que vivem, somente, do cultivo dos orgânicos. Como na feira de orgânicos, que acontece toda quarta-feira, na Vila Santa Cecília, no Centro de Volta Redonda, a partir das 17h, embaixo da Biblioteca Municipal. Sete produtores já estão certificados. Outros dois estão em processo para certificação e fazer parte da feira.

(SUL FLUMINENSE ONLINE)

É o caso da Alessandra Alcon, ex-estilista, que deixou a vida das passarelas e atelier, no Rio de Janeiro, para morar no campo com a filha e o marido. Produtora certificada de orgânicos, garante que foi a melhor escolha da vida. “Foi difícil conseguir a certificação. Hoje precisamos divulgar mais os produtos que cuidamos com tanto carinho para oferecer para as pessoas. Produzo no meu sítio em Valença, mais de 25 tipos de hortaliças, legumes e frutas. O retorno é nosso objetivo, mas ainda não vimos na prática”, lamentou.

O mesmo caminho que seguiu Rômulo e a esposa, que largou o emprego de vendedor de alimentos industrializados, em 2015, para passar a produzir, consumir e oferecer os orgânicos. Hoje tem um pequeno sítio no distrito de Dorândia, em Barra do Piraí. “Eu vendia aquilo que eu não comia. Eu digo que fui promovido para ir para terra. Hoje sou muito mais feliz e tenho uma qualidade de vida muito melhor. Não trocaria o que ganhava antes para voltar para cidade. Produzo cerca de 50 produtos diferentes e ainda com parceria com laticínios também orgânicos. Se tivéssemos mais apoio dos municípios creio que teríamos mais qualidade, variedade e preço para o consumidor”, garantiu.

Falta Apoio?

(SUL FLUMINENSE ONLINE)

Chega um ponto que os produtores acusam que acaba encarecendo o produto. Falta de incentivos. Pedro Henrique Dias, produtor rural de orgânicos há um ano, diz que seria preciso mais apoio. Como maquinas e fomento para a produção, por parte dos municípios, ajudaria diminuir o custo e deixaria o produto muito mais competitivo. “Poder oferecer um produto livre de produto químico é excelente. Porém, faltam incentivos dos governantes em ajudar a expandir a produção. A prefeitura disse que ajudaria. Estamos aguardando. Seria preciso um local ainda mais higienizado. Com barracas apropriadas, por exemplo. Uma linha de crédito municipal ou o empréstimo de máquinas para incentiva o aumento e rapidez na produção”, afirmou. Pedro ainda tem um portal na internet, onde é possível montar sua cesta de produtores e receber em casa. (www.sitiorecantodosossego.com.br)

Volta Redonda tem apenas uma horta de orgânicos. Cidade que é uma das maiores produtoras de hortaliças do Estado, apenas uma cooperativa, a Coop Proalt, formada por 11 produtores, é que fornece produtos orgânicos. Almir Almeida é um dos técnicos da cooperativa. Criada há 18 anos, em 1999, tem 12 mi metros quadrados de área de plantio. Ele também reclama da falta de incentivos. “Faltam políticas públicas para fomentar o mercado. Pagamos, inclusive, por esse espaço para expor nosso trabalho. Seria necessário mais suporte técnico e olhar pelo orgânico com mais carinho. Hoje a cooperativa produz uma flor comestível e exporta até para fora do estado. E aqui nós não temos o reconhecimento que merecemos. Se tivesse mais incentivo o preço cairia. Sobras de poda de árvore, restos de capina e de limpeza de praças, poderiam servir de adubo, por exemplo. Mesmo assim é jogado fora, quando poderia ajudar até o meio ambiente”, analisou.

Daniel Custódio, agricologista há 35 anos, tem convicção de que o maior problema é o desequilíbrio do plantio convencional desenfreado no país. “Ao plantar em larga escala um tipo de alface, por exemplo, você retira do solo muitos nutrientes e a tendência é sempre usar mais veneno naquela planta. As pragas, que faz aumentar o uso de agrotóxicos, é o resultado desse desequilíbrio. Se planta errado! O ideal era ouvir na natureza o que ela precisa. Plantar três vezes e depois mudar o tipo de verdura ou legume”, explicou.

Aprovado pelos Consumidores

Grupo de produtores se unem para levantar a bandeira dos orgânicos e buscam mais apoio. (SUL FLUMINENSE ONLINE)

Como todos os consumidores que conversamos, é unanimidade, o orgânico é mais saboroso, mais nutritivo e saudável. Dona Maria das Graças, aos 61 anos, trouxe a neta, Julyane Carvalho, de 26, para experimentar os orgânicos. A neta, que mora com a avó, diz que vai levar um pouco de cada, mas avó revela que vai ensinar a neta cozinhar e comer mais alimentos saudáveis. “Acho muito importante, não só pela estética, mas pela saúde. E o valor vale os benefícios”, afirma.

A aposentada, Léia Soares, também descobriu a feira e tem certeza que agora não vai mais deixar os orgânicos. “Hoje temos que buscar mais alimentos saudáveis e com eles aqui pertinho fica muito mais fácil. Precisamos apoiar os pequenos produtores”, reivindicou.

O consumidor compra direto do produtor. Isso cria relação de confiança no produto. (SUL FLUMINENSE ONLINE)

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